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08
MAR
   Se eu Fosse Mulher...

 

 

Se eu fosse mulher 

Amanheceria todos os dias como Clarice Lispector, que recomenda, ao acordar, ir correndo tirar a poeira da palavra amor. No café, revisaria meus planos na esperança de ter o que colher, no embalo dos versos de Cora Coralina: “O que vale na vida não é o ponto de partida e, sim, a caminhada”. Sairia de casa ao trabalho com o colorido dos bordados de Nice Firmeza, apreciando a cidade pelos olhos de Lina Bo Bardi, que vê na cultura popular a grande influência para entender a arquitetura e, assim, conviver em espaços inacabados a serem preenchidos pelo uso cotidiano. Na loja de disco da esquina, um pedido: Sonho Meu, de Dona Ivone Lara, deixando a pureza do samba fazer a dança das flores no meu pensamento.

Meu almoço seria como o de Flávia Quaresma: temperos e cores do Brasil, com um toque discreto de algo de fora. Para espairecer, leria páginas diárias de Rachel de Queiroz e arejaria as ideias nas cores de Tarsila do Amaral e nas liberdades de Frida Kahlo. Buscaria preencher de sentido cada minuto do meu trabalho, inspirado na consciência de Bertha Lutz, na bravura de Bárbara de Alencar. Sim, com certeza seria da política. 
Denunciaria a violência como Maria da Penha e enfrentaria o preconceito como Francisca Clotilde. Lembraria de Dandara, companheira de Zumbi dos Palmares, diante de qualquer escravização. Preencheria com sensibilidade e afeto o senso ético de justiça, indispensável à construção de um planeta mais solidário, menos desigual, e de uma economia sustentável, seguindo os exemplos de Zilda Arns e Hilda Zimmermann. Ao final do dia, não descuidaria dos exercícios, fantasiando ser como Jade Barbosa, Daiane dos Santos, Marta e Hortência. Miraria nos exemplos das Mulheres de Atenas.

Aplaudiria, na vida e na arte, Cacilda Becker, Fernanda Montenegro, Leila Diniz, Elis. Dançaria a vida como Isadora Duncan e compraria ingressos pra ver Ana Botafogo. Em fevereiro, salve Chiquinha Gonzaga e Carmem Miranda!

E antes de dormir, como me ensinou a Tia Léa, pediria a Nossa Senhora a proteção de seu manto sagrado e agradeceria, em plenitude, a presença benfazeja de todas as mulheres nesse mundo.

GUILHERME SAMPAIO

 

 



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